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O exemplo de Vovó Noca

No post anterior, mostrei uma notícia do G1 sobre Raimunda Nonata que prestou vestibular aos 82 anos... Ops! A revista Época da semana passada diz que ela tem 81. Deixa pra lá! O que importa é o exemplo dela. Veja trechos da reportagem "Caloura aos 81", por Daniel Nardim (Época, nº. 499, 10 de dezembro de 2007).
Vovó Noca, como é conhecida, passou na 26ª colocação entre os 200 candidatos - apenas 38 vagas foram preenchidas, porque os demais vestibulandos não obtiveram a nota mínima nas provas de português, interpretação de texto e redação. Ainda mais espantoso é que, até três anos atrás, Vovó Noca - sete filhos, 12 netos e cinco bisnetos - tinham apenas a 5ª série completa. Parou de estudar aos 15 anos e casou-se aos 21. Dividia a atenção entre marido e as aulas de leitura para crianças carentes da comunidade de Alter-do-Chão, uma localidade próxima. Aos 35 anos, ficou viúva. Para sustentar os filhos, fez de tudo um pouco. Foi vendedora de flores, empregada doméstica, fez pães e bolos por encomenda e trabalhou em uma tecelagem. O esforço para bancar os estudos dos filhos deu certo. Cinco deles conseguiram terminar a faculdade. Dois são médicos, duas são enfermeiras e outro é bioquímico. Já idosa, os "meninos" pediram que ela parasse de trabalhar. "O que iria fazer? Precisava voltar a estudar", afirma, sorrindo.
Em 2004, depois de 64 anos longe da escola, Vovó Noca resolveu voltar aos bancos escolares e obter, pelo menos, o diploma do ensino médio. Neste ano formou-se pelo programa Educação para Jovens e Adultos do Serviço Social da Indústria, o Sesi, e resolveu continuar estudando.
[...]
Vovó Noca diz preferir gastar o tempo livre freqüentando um grupo local de terceira idade, onde duas vezes por semana tem aulas de dança, ginástica, bordado e pintura. A cada 25 dias, leva comida e faz leituras para pacientes internados em hospitais da região. "Por isso, escolhi o curso de Serviço Social. Sempre gostei de ajudar os outros", diz. Às sextas-feiras e aos domingos, é presença certa na primeira fila da igreja. "Sou católica fervorosa e ministra da Eucaristia. Não posso faltar", afirma.
Para Vovó Noca, a fé ajuda na hora de recomeçar. "Sou tudo, menos parada. Acho que não conseguiria viver sem fazer nada, ficando só em casa. A gente precisa ter algo para gostar de estar aqui e fazer tudo valer a pena." Sobre começar um curso universitário depois dos 80 anos, ela faz graça. "Digo sempre às pessoas mais novas que sempre é tempo de recomeçar. Na verdade, acho que tenho uns 40, 50 anos..."
Em Santarém, Vovó Noca virou celebridade. No dia 15, não por acaso, ela será a estrela da festa de formatura do ensino médio no Sesi. Até lá, ainda deve receber inúmeros parabéns e telefonemas. "O telefone não pára de tocar. As pessoas me cumprimentam na rua. Mas isso passa, e daqui a pouco me esquecem", diz, com experiência de quem não se assusta com novos desafios.

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