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A surpreendente sobrevivência de Marcela

Há pouco mais de um ano, o Brasil conheceu um caso de amor entre mãe e filha diferente de tantos outros casos. Mesmo sabendo que a filha nasceria com anencefalia, a mãe levou a gestação até o fim e hoje a bebê está com saúde e mostrando que a vida é o dom mais preciso que Deus dá a cada um de nós. Essa é a história de Dona Cacilda e da pequena Marcela.
Por mais rotineiro que seja o dia a dia na casa delas, cada segundo que passam juntas é uma benção de Deus. Uma benção que já completou um ano, um mês e 19 dias. "O mais importante é a fé e sempre entregando nas mãos de Deus e que sempre seja feita a vontade d'Ele", diz Cacilda Galante Ferreira, mãe de Marcela.
Foi um ano em que as duas aprenderam muito, principalmente, o valor da vida. Desde o momento em que Dona Cacilda soube que sua filha nasceria com problemas, lutou contra o que muitos queriam: o aborto! "Eu vejo isso como não sendo um erro da medicina. Eu acho que é uma intervenção de Deus. Eu vejo como um dedo de Deus! É como se fosse um milagre", diz confiante o Bispo diocesano de Franca, Dom Frei Caetano Ferrari.
Deus sempre esteve a frente de tudo na casa da família Ferreira. No aniversário de um ano da pequena Marcela, o maior presente que ela ganhou, foi a presença do Santissímo Sacramento em sua casa. "Foi muita alegria, foi um encontro da Marcela com o Santíssimo. Foi muito bonito e muito emocionante", lembra Dona Cacilda.
A pediatra, Márcia Beane Barcellos, que cuida de Marcela desde o dia que nasceu confirma que a garotinha já superou todas as expectativas e agora, depois de mais de um ano, diante da doença, ela mesma diz que o caso é diferente "teoricamente uma pessoa que possui apenas o tronco cerebral não apresentaria este tipo de reação. Ela não pode ser comparada com uma criança com morte cerebral, que não tem sentimentos. A Marcela não vive em estado vegetativo. Como ela processa isso, é um mistério!".
A medicina tenta explicar o caso de Marcela. Segundo o neurocirurgião infantil, Sérgio Cavalheiro da Universidade Federal de São Paulo, a menina possui o tronco cerebral que se torna responsável por todos os sentimentos como o tato, o olfato e os movimentos dos membros. Por outro lado, ela não desenvolveria o lado intelectual devido a falta do córtex cerebral. "Ela tem as estruturas medianas que faz com que ela respire, com que ela engula, mas falta o restante da massa encefálica", esclarece o médico.
São situações previstas em livros de medicina mas que não esclarecem em hipótese nenhuma, o fato dela estar viva até hoje.
O que explicaria seria o fato de que houve uma entrega nas mãos de Deus e o sim para a geração da vida da Marcela por Dona Cacilda a Deus, dizendo não ao aborto.Um sim que, segundo o jurista Ives Gandra Martins poderia ter sido dado por tantas outras mães que tiraram seus filhos de seus ventres. "A má formação do feto não justifica nunca a eliminação porquê se a má formação justificasse a eliminação como ser humano, eu poderia também justificar a eliminação de todos aqueles que se tornaram inconvinientes por força de um desastre, de uma guerra ou estiveram doentes por muito tempo com uma redução de sua capacidade mental. Nós liquidaríamos todos que não fossem uma raça pura", contesta Ives Gandra;
A anencefalia á uma doença grave, assim como um estado de coma. A diferença é que um é um feto e o outro é adulto mas ambos precisam ser cuidados, e com muito carinho. "Qualquer que seja o diagnóstico, elas devem ser acolhidas como uma pessoa humana que tem uma doença grave e precisa de carinho e atenção", explica o assessor de bioética da CNBB, Dalton Luiz de Paula Ramos.
Amor, dedicação, carinho, respeito pelo ser humano, valorização do dom mais precioso que Deus deu a cada um de nós que é a vida, foram sentimentos que moveram e movem, tanto Dona Cacilda como a pequena Marcela que encontraram em Deus a força para superar todas as dificuldades e se tornarem exemplos de que a vida começa mesmo na concepção e que deve ser levada até o fim!

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