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Reflexões sobre o caso Isabella

Para a mídia no mês de abril só ocorreu um fato realmente importante: o trágico assassinato da menina Isabella. Isto causou uma comoção inédita no Brasil. Por isso mesmo, não só o trágico fato, mas sobretudo a maneira sensacionalista como ele foi tratado, merecem algumas considerações.
Uma primeira consideração diz respeito ao papel da mídia. Todos conjugamos democracia e liberdade de imprensa como conquistas inegociáveis. A única dúvida que sobra é sobre o que significa informar. Há uma maneira de apresentar fatos com objetividade, e há outra maneira de apresentar de tal modo os mesmos fatos que eles são completamente distorcidos. Isto é anti-ético.
Segunda observação: neste clima dramático criado em torno do caso Isabella, a própria mídia se encarregou de trazer o testemunho de várias crianças, ainda bem pequeninas: elas passaram a ter medo dos seus pais.
E aqui já se apresenta espontaneamente uma terceira consideração, justamente na forma da pergunta apresentada no título acima: por que se deu tanta importância à tragédia da Isabella, e se ignoram tantas outras tragédias cotidianas que, de uma forma ou de outra afetam nossas crianças? O que é que a cobertura sensacionalista de um fato isolado, por mais trágico que seja, está querendo empurrar para baixo do tapete? Só Deus sabe, mas que há segundas intenções por trás de sensacionalismo tão doentio, há.
Em suma, a Isabella já está nos braços do seu verdadeiro Pai. Juntamente com tantas criancinhas assassinadas já antes de nascer, ao nascer, ou logo na primeira infância, só pedem duas coisas: que as deixem dormir em paz e que o brutal mundo dos adultos pense mais nas milhares de crianças, vítimas das mais diversas e perversas crueldades. Cabe a nós criar um mundo onde ressoe a voz de Jesus: “Quem acolher a um destes pequeninos é a mim que os acolhe”.
*É assessor da CNBB para assuntos de bioética.

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