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Querem matar o romantismo

Na semana do Dia dos Namorados, a revista Veja contraria o clima e publica uma entrevista com o médico psiquiatra Flávio Gikovate, autor de Uma História de Amor... com Final Feliz. Na obra, ele ataca o amor romântico e defende o individualismo, "entendido não como descaso pelos outros e sim como uma maneira de aumentar o conhecimento de si próprio". "Os solteiros que estão mal são os que ainda sonham com o amor romântico. Pensam que precisam de outra pessoa para se completar. Como Vinicius de Moraes, acham que 'é impossível ser feliz sozinho'. Isso caducou. Daí, vivem tristes e deprimidos." É claro que é possível ser feliz sozinho, mas isso não significa que o amor romântico não deva ser almejado e alimentado ou que o individualismo seja um mérito. A seguir, alguns trechos da entrevista, com meus comentários entre colchetes:
"As pessoas que estão casadas e são felizes são uma minoria. Com base nos atendimentos que faço e nas pessoas que conheço, não passam de 5%. A imensa maioria é a dos mal casados. São indivíduos que se envolveram em uma trama nada evolutiva e pouco saudável. Vivem relacionamentos possessivos em que não há confiança recíproca nem sinceridade. Por algum tempo depois do casamento, consideram-se felizes e bem casados porque ganham filhos e se estabelecem profissionalmente. Porém, lá entre sete e dez anos de casamento, eles terão de se deparar com a realidade e tomar uma decisão drástica, que normalmente é a separação. [Gikovate se baseia em estatísticas para dar força ao seu argumento. O fato de os casamentos de hoje estarem naufragando não significa que se deva optar pelo individualismo. Que tal Veja produzir uma reportagem sobre os "segredos" dos casamentos felizes? Sou casado há 11 anos, temos duas filhas e nosso casamento está cada vez melhor. E, graças a Deus, conheço outros casais na mesma situação.]
Gikovate faz uma afirmação contundente: "Para os meus pacientes, eu sempre digo: se você tiver de escolher entre amor e individualidade, opte pelo segundo. ... Quando a pessoa se reconhece como uma unidade, e não como uma metade desamparada, consegue estabelecer relações afetivas de boa qualidade. ... O individualismo acabará por gerar frutos muito interessantes e positivos no futuro. Criará condições para um avanço moral significativo." [Na verdade, optar pelo amor sempre é o melhor caminho, ainda que isso envolva sofrimento. Na busca por fazer o outro feliz é que encontramos o real sentido de existir. E isso vem de Deus, aquele que Se doou e que tem prazer em satisfazer Seus filhos. Não compreendo bem como o individualismo - que pode degenerar em egoísmo - promoverá a geração de bons frutos e o avanço moral. Amor sem romantismo e individualismo criaram aberrações como o "ficar" e o "sexo casual". Isso é "avanço moral"?]
Tem mais esta: "Em um dos meus programas de rádio, um casal me perguntou se estavam sendo ousados demais em se casar e continuarem morando separados. Isso está ficando cada dia mais comum. Há outros tantos casais que moram juntos, mas em quartos separados. Se o objetivo é preservar a individualidade, não há razão para vergonha. O interessante é a qualidade do vínculo que existirá entre duas pessoas. No primeiro mundo, esse comportamento já é normal. Muitos casais moram até em cidades diferentes." [É certo que existem situações - que deveriam a todo custo ser contornadas - que obrigam casais a viverem separados. Mas se o motivo for a preservação da tão preciosa individualidade, aí já passo a defender a solteirice...]
[O que se nota na mídia é a apologia dos relacionamentos sem compromisso, do prazer pelo prazer e da busca da auto-satisfação. Enquanto isso, o número de divórcios já supera o de casamentos, a quantidade de mães e pais solteiros só faz aumentar e as crianças que vivem sem estrutura familiar adequada vão formando a nova geração. De minha parte, vou continuar amando romanticamente minha eterna namorada - uma só carne, na mesma casa, no mesmo quarto, na mesma sintonia. Feliz Dia dos Namorados!]
*Michelson Borges é jornalista, membro da Sociedade Criacionista Brasileira.

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