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Em Busca da Verdade

Por Pe. Reinaldo Cazumbá da Silva

"O importante é entender-me a mim mesmo, é perceber o que Deus realmente quer que eu faça; o importante é achar uma verdade que é verdadeira para mim, achar a idéia em prol da qual posso viver e morrer” (SOREN AABYE KIERKEGAARD)

Segundo o dicionário de filosofia Nicola Abbagnano, verdade é a validade ou eficácia dos procedimentos cognoscitivos. Em geral, entende-se por verdade a qualidade em virtude da qual um procedimento cognoscitivo qualquer torna-se eficaz ou obtém êxito.

Podemos distinguir cinco conceitos fundamentais da verdade: A verdade como correspondência, revelação, conformidade ou regra, como coerência e como utilidade. Assim, temos a verdade definida por Platão: “Verdadeiro é o discurso que diz as coisas como são”. Já Aristóteles dizia: “Negar aquilo que é e afirmar aquilo que não é, é falso, enquanto afirmar o que é e negar o que não é, é verdadeiro”. Santo Agostinho define a verdade como “aquilo que é como aparece” e também considera verdadeiro aquilo que revela o que é, ou que se manifesta a si mesmo”. São Tomás define a verdade como “adequação entre o intelecto e a coisa”. Mas, ao mesmo tempo, mantém a tese aristotélica de que as coisas – e não o intelecto – são a medida da verdade. Inverte essa tese no que diz respeito a Deus: “O intelecto divino é mensurante, e não mensurado, mas o nosso intelecto é mensurado, e não mensurante, em relação as coisas naturais. Portanto, existe uma verdade das coisas, que é aquilo que as coisas se assemelham ao seu princípio, que é Deus; nesse sentido Deus é a primeira e suprema verdade. Kant, declarava pressupor simplesmente a “definição nominal da Verdade”, como “acordo do conhecimento com o objeto”. Para Descartes, as verdades eternas são garantidas e reveladas diretamente por Deus e por isso são eternas. Em Hegel, “a idéia é a verdade, porque a verdade é a correspondência entre a objetividade e o conceito.

“Na raiz destas afirmações encontram-se certos pressupostos, de natureza tanto filosófica como teológica, que dificultam a compreensão e a aceitação da verdade revelada. Podem indicar-se alguns: a convicção de não se poder alcançar nem exprimir a verdade divina, nem mesmo através da revelação cristã; uma atitude relativista perante a verdade, segundo a qual, o que é verdadeiro para alguns não o é para outros; a contraposição radical que se põe entre a mentalidade lógica ocidental e a mentalidade simbólica oriental; o subjectivismo de quem, considerando a razão como única fonte de conhecimento, se sente « incapaz de levantar o olhar para o alto e de ousar atingir a verdade do ser »; a dificuldade de ver e aceitar na história a presença de acontecimentos definitivos e escatológicos; o vazio metafísico do evento da encarnação histórica do Logos eterno, reduzido a um simples aparecer de Deus na história; o eclectismo de quem, na investigação teológica, toma ideias provenientes de diferentes contextos filosóficos e religiosos, sem se importar da sua coerência e conexão sistemática, nem da sua compatibilidade com a verdade cristã; a tendência, enfim, a ler e interpretar a Sagrada Escritura à margem da Tradição e do Magistério da Igreja”. (Dominus Iesus)

A fé também tem suas definições sobre a verdade. Dentro do âmbito religioso (católico) existe os dogmas que são verdades de fé, e essas verdades de fé, estão ligadas a Verdade Única e Perfeita, que é Jesus: “Caminho, Verdade e Vida”. Fiel à palavra de Deus, o Concílio Vaticano II ensina: Averdade profunda, tanto a respeito de Deus como da salvação dos homens, manifesta-se-nos por esta revelação na pessoa de Cristo, que é simultaneamente o mediador e a plenitude de toda a revelação.

Logo no início de sua célebre carta encíclica Fides et Ratio, o saudoso Papa João Paulo II nos presenteia com uma frase que procura explicar a sede humana pela verdade: “Foi Deus quem colocou no coração do homem o desejo de conhecer a verdade”. É próprio do homem deseja a verdade, é universal: ninguém gosta de estar errado, ou de ser enganado; todos procuram ter crenças corretas, conceitos que correspondam à verdade, ainda que nem sempre consigam.

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