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O festim diabólico da imprensa

Esta semana que passou foi um verdadeiro prodígio em termos de injustiças, blasfêmias e difamações contra a Santa Igreja – e em especial, contra um dos sucessores dos apóstolos, Dom José Cardoso Sobrinho. Não me lembro de já ter testemunhado antes algo semelhante: uma onda delirante de ódio à Igreja e ao Catolicismo, disseminada pela imprensa e apoiada por parte dos “bempensantes” da sociedade brasileira. Foi um festim diabólico, uma catarse coletiva de loucura e raiva. Receio que se Dom José Cardoso Sobrinho passasse pelas redações de certos jornais, seria linchado pelos seus bravos jornalistas – como sua reputação já o foi.
No meu trabalho, em listas de e-mail de que participo, em blogs e comentários por todos os lados, muitos fizeram dele – vejam só, não do estuprador ou dos abortistas – o grande vilão da tenebrosa história da menina que foi estuprada e engravidou, sendo levada ao aborto como uma ovelhinha é levada para a tosquia.
E esses que atacaram a reputação do arcebispo o fizeram em seus próprios nomes como se o fizessem em nome de todos os brasileiros, querendo impor a todos nós suas opiniões maldosas. E ao notar católicos desgarrados aderindo à matilha, bradaram: "há discordância no seio da Igreja!". Não há: a imensa maioria da comuniade dos fiéis apóia Dom José Cardoso Sobrinho.
Recuso-me a reproduzir – e evito lembrar – os horrores que li ou ouvi. Só posso suplicar a Deus que tenha piedade de nós, pobres pecadores que não sabem o que fazem. E Lhe pedir força para agüentar ler e ouvir essas coisas todas e sabedoria para saber reagir a elas.
Pergunto-me o que é que está acontecendo, realmente. Aonde esse processo de vilanização dos cristãos irá nos conduzir. Teremos que esconder nossos símbolos? Ser-nos-á vedado o acesso á justiça? Nossos templos serão interditados? Seremos silenciados? Voltaremos às catacumbas?
Sim, catacumbas. É lá que muitos jornalistas e blogueiros querem nos ver. “Onde está Nero???”, muita gente deve se perguntar, sonhando com alguém capaz de nos jogar às feras. Enquanto tal pessoa não aparece, essa gente assume o lugar dos leões e se joga nas gargantas de nossos bispos.
Uma semana antes havia sido Dom Aldo Pagotto, malhado porque afastara de seus ofícios um padre mais afinado com o pensamento de seu partido do que com o de sua Igreja. Na semana seguinte, foi a vez de atormentar Dom José Cardoso Sobrinho. Que outro bispo, ou padre, terá seu nome execrado nos jornais na próxima semana por estar agindo como um bispo ou como um padre devem agir?
Eis o que quer essa gente: quer liberar o aborto, as drogas, quer homoerotizar o mundo inteiro, e querem fazer isso sem qualquer tipo de oposição. Por isso os furiosos ataques contra a Igreja.
Muitos deles talvez sequer percebam com clareza o que estão fazendo. Como legítimos representantes do homem – e da mulher – do nosso tempo, acreditam que tudo pode, que não há certo e errado, que a realidade não existe por si só, mas depende fundamentalmente do ponto de vista. Por isso clamam por uma Igreja adaptada ao mundo, uma Igreja que abandone seus princípios para ganhar mais adeptos e mais dízimos, uma Igreja que abandone Cristo e abrace Marx, uma Igreja que seja tão descartável quanto o horóscopo do dia ou um livro de auto-ajuda.
Para essas pessoas, atacar a Igreja com o intuito de transformá-la nessa caricatura é um bem que se faz aos católicos, essa gente supersticiosa (que acredita em Deus, ora que absurdo!) e egoísta (que resiste à implantação do marxismo, ora que maldade!).
O estupro de uma menina de nove anos! O aborto de seus filhos gêmeos! A injustíssima execração pública de um arcebispo! Que momento terrível vivemos.
Deus sabe o que faz. Se Ele permite que tamanho horror aconteça, deve haver algum motivo. Talvez toda essa tribulação nos converta, nos fortaleça, nos dignifique. Rezemos para que sejamos capazes de suportar pacientemente essa dor, e rezemos para reparar as infindáveis blasfêmias de nosso tempo.

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